Mr. Magorium's Wonder Emporium (2007)
... and maybe this is just what I want for me.
Pensamentos inquietantes. Momentos nunca esquecidos. Experiências partilhadas. Apenas...
... and maybe this is just what I want for me.
O ano acaba... com os reflexos das luzes da cidade aprisionados nos charcos deixados pela fria chuva de Inverno.
Saio de casa porque não quero ficar sozinho. Sempre que olho à minha volta vejo todo o espaço que está ainda por preencher. Preciso de (me) esquecer.
Resignado, desço a avenida devagar... sem pressa.
Afinal, com o cair da noite, as nuvens já não parecem tão assustadoras.
Estranhos passam por mim. Sozinhos, perdidos nos seus pensamentos. Fico com a ideia de que também eles não têm para onde ir e se limitam a vaguear... à espera de encontrar algo... ou alguém com quem partilhar mais uma noite.
Sigo, misturado com as sombras, por entre sentimentos e pensamentos.
No largo, junto à estátua, um pequeno grupo de estranhos reúne-se para a última refeição à porta de uma carrinha de uma instituição social. São eles os donos da cidade... aqueles que se escondem durante o dia e vivem durante a noite, guardando os cantos escuros com a sua presença.
Passo por eles e oferecem-me o que comer. Não tenho fome. Mas aceito ficar. É estranho perceber que quem menos tem é quem mais se dispõe a partilhar. E aqui partilha-se tudo. A escassa refeição, que é por vezes a única do dia. As experiências de uma vida que já foi boa. O últimos resquícios de humanidade que ficaram depois de tudo o resto se ter pedido. Pouco depois a carrinha abandona-nos. Deixam-nos com votos de um futuro melhor. O grupo dispersa. A data tem tanto de simbolismo como de miséria e os cantos escuros já ficaram sem vigilância por tempo demais.
Continuo a caminhar para lado nenhum.
Chego ao rio, já bem perto da hora da mudança. Já lá estão grupos de pessoas à espera da contagem decrescente. Garrafas de espumante e copos de plástico. A alegria nos rostos de quem me rodeia é, também ela, de plástico. Fazendo os possíveis por esquecer o quão mau foi o ano anterior e tentando optimisticamente pensar num futuro melhor.
Chega a hora. O fogo de artifício brilha nos céus da cidade. Os copos de plástico enchem-se. E comemora-se... só não percebo o quê.
Comem-se as passas. Salta-se de uma cadeira. Sucedem-se superstições e cumprimentos disparados aleatoriamente para amigos e desconhecidos.
E assim começamos mais um ano. Com os bolsos cheios de desejos e expectativas. A chuva, que entretanto começa a cair, espalha alguns salpicos de ambição. E fazemos promessas. Promessas que por vezes nem pensamos cumprir... mas fazemos porque fica bem e porque temos que nos convencer que essa seria a postura certa para uma realidade ideal.
E daqui a um ano vamos estar ali, uma vez mais. Com mais desejos e mais expectativas. A partilhar a mesma alegria de plástico... e a comemorar.
And this is the day when it all begins... again.
"All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you..."
Brandi Carlile - The Story
But the story have not yet been told. Because the person that should listen have not yet been found. And all of these lines, that scream across my face, would still be here, in silence... waiting for you.

It's not about being super-heroes, lifting cars or stopping bullets with your hands. It's not about stopping time or travel through space.
It's about leaving your personal mark in the world.
Through what you do, what you say, people you help become better in every aspect of their lives.
I am fortunate to say that I am surrounded by people, each of them special in their own way. And that, everyday, I learn new things with them, simple things perhaps but, at the end of the day, the sum of all those simple and small gestures make the world a better place to live.
Maybe we are not going to end war or stop hunger.
Maybe we are not going to make everyone happy.
Maybe the change is so imperceptible that you wouldn't even notice it. But it's a start. We should always start somewhere, right? Baby steps towards perfection.
Ordinary people do extraordinary things.
That's what I'd like to think.
Nota: Este texto é dedicado à Nuvem e a todos os meus amigos.
"When you're gone, all that's left behind are the memories you created in other people's lives."
in My Blueberry Nights (2007)
Por vezes penso que gostaria de ter passado pela vida de certas pessoas de uma maneira diferente, mais marcante. Como se a simples presença não fosse suficiente. Como se essa presença precisasse de algo mais para se afirmar, para ficar gravada na vida, para eventualmente se transformar numa memória.

When you have spent all your life as one,
a single entity,
surrounded by nothing more than oblivion
and empty walls of silence.
When you think you had too much
but, at the end, you had nothing at all.
You look back and see:
a life of opportunities that you have missed,
all the things that you haven't done,
all the words that were left unsaid.
That time has passed by,
and you had no one to hug and to dry your tears.
You then sit, on a distant corner of your life,
looking to the space on the other side of the hall,
and cry...
...alone.
Listening to: Everybody Hurts - DJ Sammy feat. Nyah
Sim. Disseram-me que o céu era azul e que a água era molhada. Disseram-me que os átomos eram inquebráveis e que o sol brilha todos os dias.
Mas o céu nem sempre é azul e nem sempre o sol brilha. E, por vezes, quando tentamos muito, até os átomos se partem.
Disseram que o amor existe, que é tangível, visível e até mesmo palpável.
Eu acreditei, e ainda acredito. Talvez por querer que assim seja ou por ser demasiado ingénuo e pensar que ninguém me ia querer enganar.
Acredito que sou apenas células e tecidos e órgãos. Mas sou também algo mais. Aquilo que a biologia e a anatomia não conseguem explicar. Porque o coração não é só um músculo e só bate porque sente, quando o desejo define a necessidade. E o coração é alma que não esquece. E continua a bater apenas porque é tocado por gestos e palavras... que me beijam, que me abraçam e por algumas que insistem em bater e deixar cicatrizes profundas.
Acreditei e ainda acredito. Porque sinto...
Este texto foi escrito como "resposta" ao post da Sininho que pode ser encontrado aqui
Sou diferente.
Vejo para além daquilo que é mostrado,
para além daquilo que as sombras escondem da luz.
Abraço o silêncio e o frio da noite,
observo as pessoas que passam,
apressadas para chegar a lado nenhum.
Correm sem objectivo.
Perdidas, perseguem as sombras de todos aqueles
que se foram embora.
Regresso a casa. Sozinho.
A noite demora a passar,
em câmara lenta, como se viesse para ficar.
Sento-me nos degraus frios de pedra.
Não sou capaz de entrar.
Fico ali. Sentado. Inanimado.
Até o Sol nascer.
E trazer com ele um novo dia...
Uma nova esperança.
Volto a ser um rapazito loiro com caracóis,
perdido no jardim dos sonhos.
Volto a ser criança.
Reencontro amigos,
reais e imaginários.
Partilho brincadeiras
Num misto de imaginação e fantasia.
Assim, sempre, livre.
Imune à passagem do tempo.
Continuar a ser apenas aquele rapazito loiro com caracóis.
A realidade virá assumir o seu lugar
e roubar novamente a infância.
Porque hoje sou pequenino…
… mais uma vez.
De entre os elementos que compõem a parte física destacam-se as pessoas.
Mas só algumas. Porque as outras passam sem deixar marcas.
E essas, as que se destacam e ficam na memória, deixam saudade
quando partem para novos desafios.
Para quem fica, nada voltará a ser igual:
Porque não se pode substituir um amigo.
Porque a cadeira irá permanecer vazia, ainda que ocupada.
Porque as marcas deixadas já não podem ser esquecidas
ou apagadas.
Mas a vida continua, em rectas quase paralelas que não se chegam a tocar
e a distância física que nos separa não é suficiente para as afastar.
Esta despedida não é um "Adeus"
é um "Até já".
A cidade espreguiça-se.
O sol já espreita, semi-escondido entre as nuvens.
A noite afasta-se, preguiçosa,
levando com ela a chuva e algumas nuvens mais teimosas
O casario desordenado que se estende pelas colinas
parece renascer com a luz do dia.
As fachadas lavadas pela chuva da noite
reflectem-se orgulhosas nas poças de água
que insistem em salpicar as ruas.
Mas a cidade chora. Lágrimas de uma noite de chuva.
Lágrimas que ainda escorrem da cidade para o rio,
que se arrasta, ao fundo, lentamente, em direcção ao mar
Um pouco mais acima, uma estátua perdida no tempo, abriga alguns pombos que em tempos guardavam a cidade, observando lá do alto toda a azáfama de pessoas e outros seres que se desenrolava dia após dia.
Essa estátua, perdida no tempo, observa atentamente, na esperança de poder voltar a ver toda essa vida na cidade.
Mas a cidade morreu.
Já ninguém percorre as suas ruas.
Ninguém olha pelas suas casas.
Ninguém vagueia pelos seus jardins.
E os pombos, velhos e abandonados, não podem fazer mais que guardar a estátua, fazendo-lhe companhia agora que ninguém a vem contemplar.
E mesmo sem chover
a cidade continuará a chorar.
E as suas lágrimas vão continuar a alimentar esse rio.
O tal que continua, lentamente, a levar essas lágrimas para o mar.
