Barcos parados nas margens, abandonados,
abrigos improvisados para os que nada têm.
Os reflexos iluminam ainda as águas calmas
parcialmente cobertas pela névoa nocturna.
À medida que o crepúsculo toma posse das formas,
as ruas tornam-se desertas
e os sons e os ruídos dão lugar ao silêncio.
Silêncio que nos envolve em cada recanto.
Sou diferente.
Vejo para além daquilo que é mostrado,
para além daquilo que as sombras escondem da luz.
Abraço o silêncio e o frio da noite,
observo as pessoas que passam,
apressadas para chegar a lado nenhum.
Correm sem objectivo.
Perdidas, perseguem as sombras de todos aqueles
que se foram embora.
Regresso a casa. Sozinho.
A noite demora a passar,
em câmara lenta, como se viesse para ficar.
Sento-me nos degraus frios de pedra.
Não sou capaz de entrar.
Fico ali. Sentado. Inanimado.
Até o Sol nascer.
E trazer com ele um novo dia...
Uma nova esperança.
Sem comentários:
Enviar um comentário